segunda-feira, 24 de junho de 2013

Tentado a ser um zumbi

Na primeira temporada de “The walking dead”, quando o Rick e o seu grupo chegam ao CDC, eles encontram um cientista que, além de lhes conceder abrigo, explica a ação do vírus que transformou parte da raça humana em zumbis. Não me lembro muito bem de tudo o que ele falou, mas me recordo que aquele que fosse contaminado teria um desejo insaciável de se alimentar de... de... ah, a gente sabe do que. Mas, verdadeiramente, este texto não tem como lição o “não coma pessoas”, afinal todos nós já sabemos que não devemos nos alimentar do nosso próximo. Pelo menos, acredito eu, que sim. Mas então... A ideia central deste texto está ligada a semelhança que temos, em alguns momentos, com estes mortos vivos no que diz respeito a agir sem o normal funcionamento da mente em busca de satisfazer o nosso instinto. 

A frase a seguir é a que me mostrou a tal semelhança:

“...A parte humana é só uma casca estimulada por instinto irracional”
Edwin Jenner                         

*frase dita no episódio 6 da primeira temporada da série.

 Aí você  deve se perguntar: “Ele está querendo dizer que somos iguais aos zumbis? Como assim?” É isso mesmo, meu amigo. Quer que eu exemplifique? Olha aí então:
Há momentos nos quais desligamos a nossa consciência e nos permitimos fazer o que o nosso insaciável desejo de se alimentar quer que façamos.

*Ah, só para deixar claro: Não estou falando literalmente de comida. Na verdade, não só. Até porque, ela também está inclusa entre as coisas que são objeto de desejo dessa fome insana. Mas digo o “não só”, pois o “alimento” pode variar, de individuo para individuo. Por isso, foquemos no que nos leva a agir como agimos e em como fazemos isso.

Voltemos então...
Quando isso acontece (quando desligamos a consciência), ignoramos tudo o que acreditamos ou dizemos acreditar. Como isso acontece? Como chegamos a esse estado? Primeiro, temos que considerar que nós somos os responsáveis para que o zumbi que há em nós não seja liberto. A responsabilidade é nossa, ok? Agora, pensemos na seguinte situação:

Do que eu alimento a minha mente?

Por não entendermos muito bem como são assimiladas pela nossa mente as diversas informações que recebemos, permitimos que qualquer coisa entre na nossa cabeça, partindo do principio que não há nada demais em permitir que ela entre, pois aquilo não provocará nenhuma reação nociva em nós. E é aí que o peixe morre. Naquilo que, aparentemente, não leva à morte, mas sim à satisfação, à matar a fome.
É nisso que morremos. O interessante é que no nosso caso o resultado de morder a isca pode ser imediato ou não, mas perceptível, muito provavelmente, não será. Por quê? Por que entorpecidos pelo prazer, pela satisfação, já não há em nós consciência. E é aí que foge o zumbi que nós não deveríamos permitir que fosse liberto. É como se o que acreditamos não ter nada a ver fosse uma faísca que foi de encontro a uma atmosfera explosiva que existe no nosso interior. Qual é o resultado? Estrago é o resultado, meu irmão.

Só para terminar por enquanto:
Aquele que acha que tudo isso que estou falando é estupidez dirá que se não fazemos o mal a ninguém, não cometeremos erro algum ao nos permitir. O mesmo também dirá que não há pecado algum ao fazer isso e que é só coisa que querem colocar na nossa cabeça para que nos sintamos culpado, pois, enquanto culpados que precisam de perdão, somos presas fáceis para aquele que diz ser o único que pode interceder por você, mas é claro, mediante a um favor seu. E quer saber? Em parte eu concordo com quem dirá isso, pois, verdadeiramente, existem pessoas que se beneficiam em diversos aspectos com a culpa dos outros. Mas, quer saber de uma outra coisa? Deus não tem nada a ver com o discurso dessa gente que quer se beneficiar em cima dos seus erros existentes ou criados por estes para te aprisionar. Até porque, ouve aí:
Alguém já morreu por você, para remissão dos seus pecados. E este alguém, sim, é aquele que é o caminho, a verdade e vida. Ah, saiba que ninguém vai a Deus se não for por Ele. Por isso, o charlatão é só mais um charlatão. O caminho é Jesus.

Mas voltando...
A parte que discordo é a que diz que só estamos errados se fazemos o mal a alguém. Por que, concorde você ou não, ao não fazermos o bem, erramos tanto quanto aquele que faz o mal e fazemos o que ele faz ao deixar de fazer que deveríamos ter feito. Goste ou não, é o que é, meu irmão.  E nesse mundo, tomado pelo vírus do viva para si mesmo, onde o que importa é a minha vida, o meu prazer, a minha satisfação, o meu querer, essa palavra cabe muito bem.

Para alguns, agir como um zumbi será um acidente, entretanto, para outros, será o seu viver normal.