quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

MADUREIRA

Com este texto não tenho menor intenção de falar sobre este bairro tão popular do nosso Rio de Janeiro, mas sim sobre uma ideia que está vinculada a ele através de uma música, ok?

 Ainda que sem querer (sem querer nem um pouco), pela força cultural do samba e do pagode nesta região da cidade, volta e meia ouço essas músicas. Como uma mãe que alimenta o seu querido filho enfiando a comida goela abaixo sem que ele queira, para a minha alegria, os meus vizinhos alimentam a minha mente com as  letras dessas "deliciosas" canções. Por isso, por ouvir tanto, posso dizer que na maioria das vezes as mesmas falam sobre traição, decepção, e cachaça. Dentro do estoque de músicas que eles me fizeram engolir encontra-se a que aquele senhorzinho canta no seu repetitivo refrão o nome do bairro de:

Eu sei que você conhece, pois provavelmente você tem vizinhos como os meus.
.
OBS: Eu não suporto esta música!

Voltando...

Nela ele fala que aquele é o lugar dele, certo? Um lugar no qual ele vive várias coisas, faz o que gosta, e se sente bem. Em cima dessa ideia, da ideia de que o nosso lugar é onde fazemos estas coisas, qual é o “Madureira” da sua vida? Você sabe? Não? Não estou pedindo as coordenadas geográficas de um lugar, mas sim querendo saber onde você abriga o que você é. Onde se encontra o seu lugar? Você se já questionou sobre? Deveria...

Vamos lá...

Eu acredito que para sobrevivermos a esta vida aprendemos a criar lugares que nos trazem satisfação, que nos levam onde queremos estar independente de onde estejamos. É como se com medo de encarar a realidade, o tédio, a solidão, e a tristeza, criássemos micro mundos. Lugares nos quais os senhores soberanos somos nós. Neste lugar, só o que precisamos é do kit de sobrevivência composto por itens que levam ao prazer nas suas mais variadas ramificações. Não percebemos, mas isso se reflete diretamente no tipo de pessoas que somos e na maneira como nos relacionamos com outros indivíduos.Talvez possa ser uma viagem da minha pessoa, mas percebo que na vida de muitos de nós, por agirmos do jeito que falei anteriormente, as pessoas que se relacionam com a gente são apenas peças que viabilizam  ou não a nossa chegada ao nosso “Madureira”. Posso estar exagerando, mas é como se a nossa relação com as pessoas se assemelhasse com a nossa relação com um apetitoso prato de comida que amamos. Que amamos comer, não é? Não há em nós o desejo de passar a nossa vida ao lado de uma deliciosa fatia de pizza, e muito menos de dar carinho a ela. Não mesmo! Não há sentimento nessa relação. O que eu quero dela é o delicioso prazer que ela me concede.

O tipo de pessoas que este mundo tem nos transformado age exatamente desta maneira. Como? Usando as outras para o seu prazer. Com este caráter moldado a partir das referências distorcidas deste mundo torto, infelizmente, o que move o nosso viver é a manutenção do nosso “Madureira”, do nosso micro mundo. Triste, não é?

Agora me diga com toda sinceridade:

Onde é o seu lugar?

O que você faz para chegar lá?

No que ele é alicerçado?


No seu prazer?    


PENSE NISSO...




Continua...

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